quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Arritmia

A vida é lenta quando a morte tem pressa.
Faço ao corpo a promessa
De que vai acabar em breve o sofrimento
Que o turtura.
Mas , da sua clausura,
O coração,
Na cega obsessão
Com que nasceu,
Diz que não, diz que não,
A baralhar o tempo em cada pulsação
como um relogio que endoideceu.


coimbra 6 de Janeiro de 1991
Miguel Torga

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