domingo, 2 de setembro de 2012

Canta, ó deusa, a Cólera de Aquiles, o Pelida (mortífera!, que tantas dores trouxe aos Aqueus e tantas almas valentes de heróis lançou no Hades, ficando seus corpos como presas para cães e aves de rapina, enquanto se cumpria a vontade de Zeus), desde o momento em que primeiro se desentenderam o Atrida, soberano dos homens, e o divino Aquiles. Assim começa o poema épico A Ilíada segundo a tradução de Frederico Lourenço que recomendo a leitura. Pego neste início para mostrar de que trata a história e poder deixar alguma curiosidade em ler numa de duas versões: a versão das edições Cotovia, que é maior e de capa dura, ou a versão de bolso do mesmo livro sob a Biblioteca de editores Independentes. A história do texto, que é visto por muitos como a própria ideia de toda a literatura, trata da ira de Aquiles denominado no texto de Pelida (epíteto que quer dizer filho de Peleu)que teve com o Atrida (um dos filhos de Atreu) de nome Agamémnon depois de este ter obrigado Aquiles a dar-lhe uma mulher que recebera como prémio do saque de uma cidade antes de chegarem a Ílion (nome grego de Tróia que dá origem ao nome da obra Ilíada, o livro que trata de Ílion). Aquiles afasta-se da guerra enquanto os restantes gregos, incentivados pelo próprio Zeus, tentam tomar Ílion, sempre sendo afastados. Zeus pretende dar a honra a Aquiles à custa da morte de muitos gregos. O ponto de viragem na história surge quando o grande amigo de Aquiles, Pátroclo, decide ir combater com os restantes gregos, não indo o próprio Aquiles. Pátroclo é morto por Heitor. Ao saber da morte do seu mais caro amigo, o Pelida enfurece-se novamente, desta vez contra Heitor e os restantes troianos, fazendo as pazes com Agamémnon que lhe restitui a mulher que lhe tinha tirado. Aquiles volta à guerra para combater Heitor. Apenas no final da obra é que a fúria de Aquiles é apaziguada com a entrega do corpo de Heitor a Príamo para ser feito o seu funeral em Ílion. A leitura da obra pode ser feita como uma forma de ler um dos melhores livros de guerra jamais escritos, contendo uma dimensão da honra de um guerreiro e dos vários aspectos da sua mentalidade. Deste o impulso para a luta, às fragilidades em se apegar a saquear os bens dos cadáveres em vez de resgatar os amigos. A leitura pode ser mais interessante ainda quando se procura compreender todo o conteúdo mitológico que envolve a história da guerra. Nesse sentido, tal como indica Frederico Lourenço, o seu objectivo não era criar um livro pejado de notas, por isso fez uma versão lisa do texto. A minha recomendação é ao inicia-se a leitura da obra, se fazer uma oração à musa Calíope, tal como faz o autor da obra logo no início da tradução.