quinta-feira, 7 de junho de 2007

o medo (I) - al berto

30 de julho de 1982
o crepúsculo daquele que escreve está repleto de seiva petrificada na aurora dos dias.
quando regressares, encontrar-me-ás moribundo ou metamorfoseado na minha própria escrita. ao folheares os meus livros desprender-se-á deles um cheiro amargo a plantas esmagadas, e não encontrarás mais nada a não ser a brancura envenenada do papel. as palavras apagaram-se deles ao mesmo tempo que eu me apaguei por dentro do teu silêncio.
a triste noite cai rente à janela, espalha nos vidros finíssimos sulcos de areia orvalhada. são horas de te reiventar, cobrir-te o corpo com um novo alento de vida, até que a mudez nos vista definitivamente.

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